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Mércia Barcellos da Costa

Pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Possui Graduação em Ciências Biológicas, Especialização em Oceanografia pelo Instituto de Oceanografia-USP, Mestrado em Ciências Fisiológicas  e Doutorado em Oceanografia Ambiental pela Universidade Federal do Espírito Santo. Realizou Estágio Pós-Doutoral no Instituto de Diagnóstico y Estudios del Agua/ Consejo Superior de Investigaciones Científicas (IDAEA/CSIC), em Barcelona-Espanha onde participou do Projeto Impacto de progestágenos sintéticos y otras sustâncias biologicamente activas en los ecossistemas acuaticos.

Foi Bióloga do DCBio/CCHN, onde atuou como Curadora da Coleção Malacológica e Coordenadora do Laboratório de Malacologia. Nesse Departamento orientou cerca de 30 trabalhos de Conclusão de Curso, propiciou Estágios a cerca de 50 Graduandos em Ciências Biológicas. Professora Permanente no PPGBAn da Universidade Federal do Espírito Santo, onde orientou alunos de Pós-Graduação.

Atualmente é Bióloga do Centro de Ciências Exatas/LABPETRO-UFES. Coordena o Laboratório de Biologia Costeira e Análise de Microplasticos. Tem experiência na área de Zoologia, com ênfase em Malacologia, atuando principalmente nos seguintes temas: antifoulings, malacologia, compostos organoestânicos, bimonitoramento e bioindicadores. Desenvolve estudos a respeito da contaminação por microplasticos em diferentes matrizes, em ambientes marinhos, dulcícolas, terrestres e atmosféricos. Bolsista Pesquisador Capixaba FAPES – Triênio  2023 a 2026. Coordenadora do Projeto Avaliação da poluição por resíduos de plástico usando diferentes matrizes ambientais em ilha oceânica (Ilha da Trindade – Brasil), CNPq 441747/2024-8.

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Palestra

Microplásticos em ecossistemas costeiros no Espírito Santo: o que os invertebrados nos contam?

Detalhes

A poluição por microplásticos (MPs) tem se intensificado globalmente devido ao aumento da produção e descarte inadequado de materiais plásticos, tornando-se um dos principais contaminantes emergentes nos ambientes marinhos. Esses materiais, com tamanho inferior a 5 mm, apresentam elevada persistência e ampla distribuição, sendo registrados na água, sedimentos e organismos ao longo de diferentes ecossistemas costeiros. Em ambientes como praias e manguezais, os sedimentos atuam como importantes reservatórios de MPs, favorecendo sua incorporação por organismos bentônicos. A ingestão desses contaminantes já foi documentada em diversos grupos, com destaque para organismos filtradores, como bivalves, amplamente utilizados como bioindicadores ambientais. Os dados utilizados nesta apresentação foram obtidos a partir da integração de diferentes investigações conduzidas pelo LABCAM, ao longo do litoral do Espírito Santo, Sudeste do Brasil. As análises contemplaram múltiplas matrizes ambientais, incluindo sedimento superficial de praias e manguezais, bem como amostras de água em ambientes estuarinos, permitindo inferências sobre a disponibilidade desses contaminantes na coluna. A investigação da incorporação biológica considerou organismos representativos de diferentes compartimentos ecológicos. Organismos bentônicos filtradores, como bivalves (Crassostrea brasiliana, Mytella strigata, Perna perna e Tivela mactroides, Donax hanleyanus), foram utilizados como bioindicadores, permitindo avaliar de que forma atributos biológicos, como o tamanho corporal, influenciam a incorporação de microplásticos. Organismos construtores, como o poliqueta Phragmatopoma caudata, foram avaliados quanto à presença de microplásticos em tecidos e estruturas biogênicas, refletindo a interação entre o organismo e o ambiente. A abordagem incluiu ainda organismos de diferentes nichos tróficos, como o gastrópode bentônico Aplysia brasiliana e o ctenóforo pelágico Mnemiopsis leidyi, permitindo avaliar a contaminação ao longo do gradiente bentônico-pelágico. Além disso, a influência do engordamento de praias sobre a poluição por MPs também foi avaliada, por meio de amostras de sedimento e de bivalves. Os resultados evidenciaram a presença generalizada de microplásticos em todas as matrizes analisadas, com ocorrência registrada em 100% das amostras em diferentes estudos. Os sedimentos se destacaram como o principal reservatório desses contaminantes, especialmente em ambientes com menor hidrodinamismo e maior influência antrópica, como manguezais de bacia e praias urbanizadas. Bivalves apresentaram elevada frequência de ingestão, reforçando seu potencial como bioindicadores. Além disso, verificou-se a tendência de aumento na quantidade de microplásticos em indivíduos maiores, sugerindo influência do tempo de exposição e da taxa de filtração. Em organismos construtores, como P. caudata, a presença de MPs em tecidos e estruturas biogênicas evidencia seu papel como reservatório para MPs. Por fim, o engordamento de praias se mostrou altamente prejudicial ao ambiente, com aumento de 170% na quantidade de MPs na área engordada. De forma integrada, os resultados indicam que a poluição por microplásticos está amplamente distribuída nos ecossistemas costeiros do Espírito Santo, sendo modulada por fatores ambientais e antrópicos e apresentando elevada disponibilidade para incorporação pela biota. Quanto à composição, observou-se predominância de filamentos, sobretudo de coloração azul, padrão consistente entre diferentes matrizes, indicando associação com fontes urbanas, como resíduos têxteis e atividades pesqueiras. A análise química confirmou a presença de polímeros amplamente utilizados, como polietileno, polipropileno e polietileno tereftalato, evidenciando sua origem antrópica.

Data e horário

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