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IPEN-CNEN e AIEA reforçam parceria global no combate à poluição marinha por microplásticos

Leia a matéria no website do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN)

A visita do Professor Carlos Alonso-Hernandez ao IPEN-CNEN, realizada entre 16 e 20 de março, representou um marco na cooperação científica internacional voltada ao combate à poluição marinha. Pesquisador dos Laboratórios de Meio Ambiente Marinho da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e ponto focal da Iniciativa NUTEC Plastics desde 2020, ele trouxe ao Brasil sua expertise no fortalecimento de capacidades científicas e na harmonização de metodologias para o monitoramento de microplásticos. O encontro ocorreu no âmbito do projeto colaborativo “Aplicação de Radiação Ionizante para Redução de Micro e Nanoplásticos e Poluentes Emergentes”, uma parceria estratégica entre o IPEN e a AIEA que visa padronizar métodos de detecção e validar a eficácia de tratamentos in situ.

Durante sua estada, o Professor Alonso-Hernandez ministrou duas palestras para a comunidade científica do instituto. Na primeira, detalhou o programa NUTEC (Nuclear Technology for Controlling Plastic Pollution), iniciativa que articula uma rede global de laboratórios para o rastreio e a mitigação de microplásticos via tecnologia nuclear. Na segunda apresentação, intitulada “Advanced Nuclear and Isotopic Analytical Techniques for Microplastic Analysis in the Marine Environment”, explorou técnicas avançadas de detecção e caracterização, discutindo fronteiras tecnológicas e limitações operacionais. Um dos pilares de sua fala foi a urgência na harmonização metodológica e na comparabilidade interlaboratorial, elementos cruciais para conferir robustez e confiabilidade aos marcos de monitoramento global. O especialista também participou do workshop “Facing the Microplastics Challenge: Research Advances and Future Actions”, evento que reuniu pesquisadores como Cláudia Lamparelli (CETESB – Setor de Águas Litorâneas) e Décio Semensatto (UNIFESP – Departamento de Ciências Ambientais) para debater os avanços e desafios do setor.

A agenda incluiu ainda visitas às instalações do IPEN, contemplando o Centro de Tecnologia das Radiações, o Centro do Reator de Pesquisas, o Centro de Lasers e Aplicações e o Centro de Química e Meio Ambiente. O professor manifestou entusiasmo com a infraestrutura da instituição, classificando-a como única na América Latina. Entre os destaques tecnológicos, foram ressaltados a Unidade Móvel de Irradiação – caminhão equipado com um acelerador de feixe de elétrons para tratamento de efluentes industriais – e o SNOM (Scanning Near-field Optical Microscopy), microscópio óptico de altíssima resolução para análises em escala nanométrica, duas ferramentas consideradas vitais para a vanguarda da pesquisa ambiental brasileira.

Complementando as atividades técnicas, o Professor Alonso-Hernandez conheceu o Rio dos Bugres, na Baixada Santista, para verificar in situ os desafios críticos da região. Um estudo prévio do IPEN, em parceria com o Instituto EcoFaxina, identificou o local como um dos rios mais poluídos por microplásticos no mundo. Acompanhado pelos pesquisadores Ademar Benévolo Lugão e Sueli Borrely (IPEN), e pelo diretor-presidente do EcoFaxina, William Schepis, o professor enfatizou o compromisso social da ciência:

“Que possamos compartilhar com os tomadores de decisão esses níveis de contaminação cientificamente validados para estruturar um programa de manejo na região. IPEN e EcoFaxina estão abrindo portas não apenas para o setor investigativo, mas também para o social e a educação ambiental, o que também é importante, porque não trabalhamos para nós mesmos, trabalhamos para a sociedade”, concluiu.