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José Eduardo Martinelli Filho

Professor Titular da Universidade Federal do Pará (UFPA)

Biólogo, mestre (2007) e doutor (2013) em Oceanografia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor titular da Universidade Federal do Pará (UFPA). Iniciou sua carreira como professor na UNESP (Universidade Estadual Paulista), mudando-se para a Amazônia para trabalhar na bacia do rio Xingu em 2009. Desde 2012, é professor em Belém, campus principal da UFPA e segunda maior cidade da Amazônia, onde implementou um novo programa de mestrado em 2016 (mestrado em Ciências Ambientais e Transferência de Conhecimento). Martinelli coordenou projetos de pesquisa, comunicação e extensão por mais de 15 anos. Ele tem atuado junto a um público mais amplo como membro de grupos de trabalho como a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (COI/SC-IOCARIBE/Sargassum & Derramamentos de Óleo), o subcomitê de Sargassum do GlobalHAB (COI – SCOR GLOBALHAB) e o Programa de Gestão Costeira e Planejamento Ambiental do Estado do Pará (Secretaria do Meio Ambiente, Amazônia brasileira). Martinelli é revisor de mais de 30 periódicos científicos e de diversas agências de fomento brasileiras. Ele também publicou relatórios, mais de 45 artigos científicos revisados ​​por pares e diversos materiais de comunicação sobre temas relacionados às Ciências Ambientais, impactos e ecologia aquática. Nos últimos anos, Martinelli tem se dedicado ao estudo de microplásticos ambientais emergentes, como o sargaço pelágico e os microplásticos, e orienta alunos de mestrado e doutorado na Amazônia brasileira.

Palestra

Poluição plástica na Amazônia: Cenário Atual e Perspectivas

Detalhes

A poluição por plásticos e microplásticos consolidou-se como um dos maiores desafios ambientais emergentes na Amazônia, dada a magnitude da bacia hidrográfica e a severa deficiência em infraestrutura de saneamento, que atende adequadamente menos de 3% dos municípios locais. Atualmente, a Amazônia é classificada entre a segunda e a sétima bacia mais poluída por plásticos no mundo, transportando cerca de 182 mil toneladas de resíduos anualmente. O problema é causado por múltiplas fontes, incluindo a urbanização desordenada, o descarte inadequado de apetrechos de pesca e o aporte de resíduos transfronteiriços. Pesquisas recentes desenvolvidas pelo grupo de pesquisa do professor Martinelli e parceiros, evidenciam que a presença desses polímeros é amplamente detectada no ambiente e na biota, com registros de ingestão de microplásticos abrangendo mais de 80 espécies de peixes, com frequências de ocorrências superiores a 60%. Além do impacto direto na fauna aquática, observam-se novos comportamentos ecológicos, como o uso de fios de nylon descartados na construção de ninhos por aves como o Japu-preto (Psarocolius decumanus), o que introduz riscos de toxicidade por pigmentos orgânicos. No ambiente costeiro, experimentos de fragmentação revelam que polímeros se degradam mais rapidamente na costa amazônica do que em regiões temperadas devido às condições tropicais, embora materiais como o polietileno de baixa densidade (LDPE) apresentem alta persistência. Adicionalmente, os resíduos plásticos atuam como "balsas" para o transporte de espécies exóticas, intensificando o desequilíbrio ecossistêmico. A palestra abordará ainda pesquisas em andamento sobre a dinâmica de microplásticos no maior sistema flúvio-estuarino do mundo.

Data e horário

Em breve